Trilhas de Conhecimentos - O Ensino Superior de Indígenas no Brasil

Projeto
Público Alvo
Expediente

Artigos
Dissertações e Teses
Referências Bibliográficas
Livros

Entrevistas

Núcleo Roraima
Núcleo Mato Grosso do Sul

Galeria Multimídia

Ações Governamentais
Educação Superior Indígena


Links
Newsletter

Fale Conosco
Mapa do Site


 
     
Núcleo Mato Grosso do Sul / Os Terena



Os Terena

Estimados em 16 mil (FUNASA, 2001), constituem o segundo maior grupo étnico do Mato Grosso do Sul. Hoje vivem espalhados por sete municípios do estado, mas sua maior concentração está nos municípios de Miranda (Área Cachoeirinha) e Aquidauana (Área Taunay/Ipegue).

Fonte: http://www.neppi.org/fz (site do Fome Zero Indígena/MS; acessado em 31/01/06).

Os índios Terena constituem um subgrupo dos Guaná, habitantes da região do Chaco no período colonial. As primeiras informações sobre os Guaná vêm do século XVIII, através dos cronistas e, utilizavam o termo Guaná como um designativo espanhol para os Txané, índios de língua aruak que habitavam a bacia do rio Paraguai. A denominação Guaná englobava diversos subgrupos Aruak-Txané, inclusive os que migraram para o lado oriental do Rio Paraguai, na atual região do Mato Grosso do Sul.

Os cronistas estimaram que os Terena, no final do século XVIII, eram aproximadamente 3.000 pessoas. É um dos únicos subgrupos que resta no século XXI, na região de Aquidauana e Miranda.

Os Terena sofreram forte impacto durante a Guerra do Paraguai, da qual participaram ativamente. A guerra provocou um aumento na dispersão e na fragilização dos laços de parentesco. As profundas alterações provocadas pela Guerra se manifestarão sobre a situação sócio-econômica, em especial no que se refere à posse da terra pelos índios com o loteamento das áreas coletivas. O retorno dos fazendeiros no pós-guerra e a correspondente implantação de uma nova estrutura fundiária na região, aos poucos vai reduzindo os territórios deste povo e obriga os índios a venderem sua mão-de-obra a troco de comida nas fazendas da região e/ou a migrarem para as periferias das cidades, em especial para Campo Grande. A partir do início deste século, o SPI (Serviço de Proteção aos Índios) iniciou, na região, a demarcação de Reservas Indígenas, sendo a primeira a de Cachoeirinha, demarcada em 1905, ainda pela Comissão Rondon.

Atualmente os índios Terena são possuidores de doze pequenas reservas de terra, que somam um total de 19.017 hectares , onde reside uma população aldeada de 13.643 pessoas. Como conseqüência deste processo, faz-se mister registrar, ainda, a presença, na periferia de Campo Grande, de 820 famílias de índios desaldeados, segundo dados do censo realizado em Campo Grande pela prefeitura municipal, pela Diocese de Campo Grande e UCDB, finalizado em 1999. Apesar de terem um ethos de agricultores, muitos ao invés de trabalharem a própria erra, a exemplo dos Kaiowá/Guarani, milhares de trabalhadores terena, todos os anos, atuam no plantio e na colheita da cana, em contratos sucessivos de 70 a 90 dias. Os Terena que vivem exclusivamente da lavoura (82% na faixa etária 24-60 anos em Cachoeirinha; 78% em Buriti e 54% em Taunay-Ipegue) não conseguem auferir dela a renda necessária para manter, durante todo o ano, seu grupo familiar. As áreas cultivadas por grupo não ultrapassam um hectare com uma produtividade média de 25 sacos de feijão, 12 de milho, 120 kg de mandioca e (mais raramente) de 15 sacos de arroz. Como afirmou um líder Terena de Cachoeirinha, os Terena ainda plantam porque isto "está no sangue, mas não dá para viver...". Por sorte, em geral existe um aposentado por família. (cf. http://www.isa.org.br/pib/epi/terena - Instituto Sócio Ambiental - Acessado em 31/01/06).

Os Terena, por contarem com uma população bastante numerosa e manterem um contato intenso com a população regional, são o povo indígena cuja presença no estado se revela de forma mais explícita, seja através das mulheres vendedoras nas ruas de Campo Grande ou das legiões de cortadores de cana-de-açúcar que periodicamente se deslocam às destilarias para changa, o trabalho temporário nas fazendas e usinas de açúcar e álcool. Essa intensa participação no cotidiano sul-matogrossense favorece a atribuição aos Terena de estereótipos tais como "aculturados" e "índios urbanos". Tais declarações servem para mascarar a resistência de um povo que, através dos séculos, luta para manter viva sua cultura, sabendo positivar situações adversas ligadas ao antigo contato, além de mudanças bruscas na paisagem, ecológica e social, que o poder colonial e, em seguida, o Estado brasileiro os reservou.

Deste quadro resulta a necessária procura pelo trabalho externo, e também a valorização interna, crescente, do trabalho feminino, seja como doméstica nos centros urbanos, seja na produção da cerâmica e no extrativismo do palmito de bacuri.




O projeto Trilhas de Conhecimentos foi encerrado em Outubro de 2009
© 2007 Todos os direitos reservados.Este material não pode serreescrito ou redistribuído sem prévia autorização.