Informativo Trilhas de Conhecimentos | 30 de julho de 2008

Prezado assinante,

Nesta edição do informativo do portal Trilhas de Conhecimentos os leitores vão poder ter acesso à uma pesquisa realizada pela doutora em Antropologia e pesquisadora associada ao Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento (LACED), Mariana Paladino, com a colaboração e assistência da mestranda em Educação Gabriela Bergesio, com o objetivo de conhecer a situação de acesso e permanência dos povos indígenas no ensino superior na Argentina. O trabalho foi motivado pela inexistência de informações sobre o tema naquele país. O levantamento coletou informações em órgãos de governo, no âmbito universitário, em ONGs e organizações indígenas daquele país.

A pesquisa apontou para diferentes tipos de informações: em primeiro lugar para a identificação de políticas públicas e ações governamentais voltadas para a assistência educativa dos povos indígenas no nível superior; em segundo, para ações ou programas universitários voltados a atender certas demandas dos povos indígenas no tocante a educação escolar. Por fim, para o estudo das trajetórias escolares e sociais de alguns estudantes indígenas universitários, e as perspectivas de lideranças de organizações indígenas sobre o sentido do acesso ao nível superior, e sobre a formação profissional e técnica para os projetos de futuro desejados por elas.

O trabalho foi realizado junto à Universidad de Buenos Aires (UBA), à Universidad Nacional de Formosa e à Universidad del Nordeste – localizadas no nordeste do país – e à Universidad Nacional del Comahue, na província de Neuquén, no sul do país. As universidades objeto da pesquisa foram escolhidas pelo fato de estarem localizadas em regiões habitadas por grupos indígenas muito numerosos.

A escolha permitiu evidenciar grandes diferenças entre as situações analisadas, não somente em relação às grandes desigualdades regionais, no acesso e permanência das populações indígenas na universidade, e nos diferentes tipos de dificuldades enfrentadas por elas, mas também em perspectivas muito distintas sobre o sentido de realizar estudos de nível superior, em diversas trajetórias e formas de se relacionar com o âmbito universitário. Com o trabalho, ficou evidente em alguns casos, um ocultamento da identidade étnica e, em alguns, ao contrário, a possibilidade de realizar alguns cursos promoveu uma experiência de valorização da identidade. Para outros, que têm transitado por experiências de organização política prévia, o sentido de estudar na universidade é o de se apropriar de ferramentas ou armas para suas lutas e projetos.

De acordo com Mariana Paladino, as reações das pessoas entrevistadas por ela para a pesquisa foram bastante significativas e serviram, por si só, como dados para seu levantamento: "desde as que reagiram com surpresa e estranharam o objeto da minha pesquisa, até as que se mostraram grandemente interessadas e tentaram construir uma reflexão". Segundo ela "foi muito rico, também, o diálogo com alguns estudantes indígenas e a possibilidade de conhecer parte das suas trajetórias".

Conheça mais do trabalho aqui lendo o artigo, vendo os quadros comparativos e o mapa e também lendo duas das entrevistas realizadas pela pesquisadora.



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