Trilhas de Conhecimentos - O Ensino Superior de Indígenas no Brasil

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Núcleo Roraima / Problemas e Conflitos



Problemas e Conflitos

Problemas e conflitos Os povos indígenas que habitam o estado de Roraima são os remanescentes de uma diversidade étnica bem maior, atestada por diferentes fontes históricas para o vale do rio Branco (FARAGE & SANTILLI, 1992). As epidemias e o recrutamento da população indígena fizeram com que muitos povos desaparecessem, enquanto alguns tiveram seus remanescentes incorporados a grupos indígenas diferentes. Como se supõem que tenha havido com os Paraviana que, embora fossem considerados um dos povos mais numerosos do rio Branco no século XVIII, no século seguinte haviam desaparecido, provavelmente absorvidos pelos Wapixana (FARAGE & SANTILLI, 1992).

O recrutamento da mão-de-obra indígena foi um dos principais fatores dessa diminuição das populações indígenas, fato já atestado por viajantes ao longo do século XIX. Henty Coudreu, viajante francês, ao passar pela região na década de 1880, descreve uma economia inteiramente dependente da mão-de-obra indígena, o que incluía, além da agricultura, até mesmo serviços domésticos, navegação e construção entre outras. Segundo o mesmo viajante, tratava-se de trabalho assalariado apenas na aparência, uma vez que os fazendeiros não toleravam as constantes fugas de índios e um provérbio local dizia que tudo o que eles necessitavam era pão, pano e pau (FARAGE & SANTILLI, 1992).

Um outro problema peculiar às populações da região, foi o fato de estarem em uma área de fronteira entre diferentes Impérios coloniais. Assim, os territórios de ocupação Pemon e Kapon foram objeto de disputas acirradas entre potências européias. O resultado dessa disputa foi a sobreposição de fronteiras coloniais/nacionais às fronteiras indígenas que as precederam, provocando com isso a introdução de novas distinções, divisões e antagonismos entre mesmos povos. As fronteiras coloniais e nacionais separaram populações de uma mesma etnia, erguendo barreiras entre aldeias de um mesmo povo, alterando significativamente suas relações sociais básicas (SANTILLI, 1994). No entanto, é preciso esclarecer que os índios tiveram um papel decisivo na formação dessas fronteiras, tendo uma presença de grande relevância para a definição dos domínios territoriais partilhados pelos Estados, uma vez que os aldeamentos e o controle e contato com as aldeias eram usados pelos colonizadores para garantir a posse da terra diante das potências rivais (FARAGE, 1991). Na verdade, o espaço colonial da região foi organizado a partir da construção de fortalezas militares e de aldeamentos para os índios que constituíram um elemento fundamental para assegurar a delimitação do território colonial e nacional e garantir sua posse para os portugueses e, posteriormente, brasileiros. Esses aldeamentos transformaram significativamente a estrutura social dos povos a ele submetidos.

Hoje a gama de interesses e de conflitos que giram em torno da questão indígena no estado é bastante variada. A homologação da Terra Indígena de Raposa Serra do Sol, localizada numa área em que grandes fazendeiros exploram a produção de arroz, nos municípios de Paracaima e Normandia é um bom exemplo. Ela tem gerado inúmeros conflitos e manifestações dos grandes produtores de arroz, bem com de autoridades municipais. A relação entre os interessados na exploração dos recursos naturais e aqueles ligados à preservação do meio ambiente e do modo de vida das populações indígenas têm sido na maioria das vezes conflitivos. Desse modo, grupos interessados na exploração econômica da região colocam a grande quantidade de terras indígenas como principal empecilho ao desenvolvimento do estado. Dentro desse grupo está o próprio governo estadual, além de não-índios e índios. Esse argumento tem sido o responsável por fortes conflitos envolvendo a demarcação de terras indígenas. No entanto, para a maioria das organizações indígenas, a demarcação das terras é um elemento fundamental para se falar em desenvolvimento, mas entendido não no sentido de crescimento econômico, mas de uma melhoria das condições gerais de vida da população. Mas mesmo entre os indígenas as diferenças entre interesses também são importantes (REPETTO, 2002). No caso da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol havia uma forte oposição entre aqueles que defendiam a demarcação em ilhas e aqueles que defendiam a demarcação de um território contínuo. Na verdade, o campo indigenista de Roraima não está reduzido a posições fixas de seus três principais atores: o Governo do Estado, a Igreja Católica e os índios, uma vez que nenhum deles corresponde a um bloco homogêneo. Existem interesses divergentes no interior de cada um desses agentes, tornando o campo indigenista do estado um verdadeiro emaranhado de conflitos, além da existência de outros atores também importantes (REPETTO, 2002).
O projeto Trilhas de Conhecimentos foi encerrado em Outubro de 2009
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